Palestra de Abertura com professor da UFC!

Por Bruno Corrêa
Agência Laboratório

As Duas Faces da História do Brancocentismo no Brasil

Das Cotas Imigratórias às Cotas de Negros na Universidade: As Duas Faces da História do Brancocentismo no Brasil

A Palestra de Abertura (Das Cotas Imigratórias às Cotas de Negros na Universidade: As Duas Faces da História do Brancocentismo no Brasil) do 24h foi interessante e um tanto engraçado. Primeiramente, a coordenadora do Grupo Observatório de Pesquisa, Prof. Ms. Priscila de Oliveira Xavier, explicou como surgiu a idéia do grupo de pesquisa. Era um grupo de amigos, que na verdade é um coletivo, um coletivo nômade, pois encontra vários integrantes pelos lugares que passa.

Logo após foi a vez da fala do Prof. Ms. Flávio Ferreira, que leciona no curso de História da UFMT. “Toda iniciativa cultural deve ser apoiada, apesar da própria fundação mostrar a hierarquia, negando ajuda a esse tipo de iniciativa”, disse. Apoiou o Movimento Panamby, “que sempre se preocupa com as atividades culturais e a preservar os espaços públicos, que são pagos pelos nossos impostos, e devemos nos preocupar em preservar”.

Enfim, a palestra: O palestrante foi o Prof. Dr. Henrique da Cunha Júnior, da UFC, que começou com uma história da cultura africana. A moral da história é: vemos as coisas com a nossa perspectiva. E a nossa visão da História do Brasil é uma perspectiva, que muitas vezes é ignorada. A visão dele é ‘a Raiz do Brasil’, que é o Pé de Palmo, no Ceará é usado como cabo de vassoura, ou seja, cacete.

“A verdade é que a história é ocultada, existem vários artistas de muito sucesso no exterior que não são nem citados no Brasil. Alguém já viu preto e pobre fazendo cultura? Os europeus já viram”, disse o professor. E explicou que o Brasil não é miscigenado, na verdade. Dizem que temos um lado escravo, e um lado senhor. “Não recebi a parte do Senhor na minha conta bancária, só a parte escrava”.

Das cotas imigratórias, foi realmente uma aula de história. Os senhores pagavam os europeus, que eram analfabetos, mas davam incentivo à eles. Existiam até escola de alfabetização alemã, no Rio Grande do Sul. Enfim, os europeus vieram, trabalharam e os índios, e os negros, que estavam aqui bem antes deles foram resumidos à nada. Deu exemplo de sua própria mãe, e amigas, que deram aula para os japoneses em 1940. Os negros, que estavam aqui há muito tempo, só receberam alfabetização em 1970.

Sem saber nada sobre o Pé de Palmo, vamos às cotas negras nas universidades. Deu exemplos de amigos que conhecem culturas alternativas, como por exemplo “catar siri no mangue”. Convenhamos, nenhum de nós consegue catar siri no mangue. E ele deixa a pergunta: Vestibular é questão de conhecimento?

Sim, é uma questão de conhecimento. Conhecimento construído para que os eurodecententes passem, mostrando que a ‘discriminação’ contra os negros e índios, em relação aos europeus ainda continua, o que é compreensível, pois o Brasil é uma cópia européia, principalmente na estrutura das cidades antigas. Essa é a famosa Cultura do Vestibular, citada várias vezes na palestra.

Conclui perguntando: “Será mesmo que temos que abdicar nossa cultura, mudar o que somos, mudar a nossa perspectiva de história, para passar no vestibular?”.